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O custo oculto por trás das variações na prestação de cuidados

Definindo variação da prestação de cuidados

As despesas com saúde representaram quase 18% do PIB dos EUA em 2018.1 No entanto, apesar dos enormes gastos com saúde, numerosos estudos têm mostrado que a subutilização, uso indevido e uso excessivo de serviços médicos continuam a contribuir para o desperdício de recursos e para pacientes com resultados abaixo do ideal.1,2 Várias análises das fontes desses custos excessivos apontaram para variação na prestação de cuidados que, mesmo com o advento das reformas de qualidade e pagamento, continuaram a criar grandes lacunas na prestação e qualidade efetivas dos cuidados de saúde. A variação do atendimento pode levar a erros desnecessários, atrasos e gargalos no atendimento ao paciente ou à transição do atendimento, bem como complicações e eventos adversos, como condições adquiridas no hospital.1 Ao aprofundar o olhar para as causas, a variação do atendimento geralmente é atribuída a alguns padrões: coordenação fragmentada da assistência, falta de aderência às vias clínicas baseadas em evidências e padronização e integração inadequadas das vias no fluxo de trabalho do médico.1,3

 

Impacto da variação da prestação de cuidados nos custos

Uma análise dos dados de custo e qualidade dos cuidados de saúde de 468 hospitais, de abril de 2014 a março de 2017, realizada pela Advisory Board, uma consultoria de pesquisa focada nas melhores práticas em cuidados de saúde, descobriu que hospitais de alta qualidade prestavaram atendimento com custos mais baixos para aproximadamente 82% dos diagnósticos, por meio da diminuição da variação em seu atendimento. Essa redução trouxe melhores resultados para os pacientes, como taxas mais baixas de complicações.4 Em contrapartida, o hospital médio gastou até 30% mais para prestar assistência com resultados comparáveis ​​ou de qualidade inferior. 4

Em um estudo de 2019 publicado no Journal of American Medical Association (JAMA), foram analisados, ​​de 2012 a 2019, os custos associados ao “controle dos desperdícios” específicos no sistema de saúde.1 O estudo constatou que o desperdício era mais expressivo nas áreas onde haviam altos custos associados às falhas na prestação de cuidados e falhas na coordenação do atendimento.1 As falhas na coordenação do atendimento foram associadas a admissões ou readmissões desnecessárias e complicações evitáveis, que totalizavam custos anuais de desperdício estimados em cerca de US$ 27,2 bilhões a US$ 78,2 bilhões.1 No caso de falhas na prestação de cuidados, a má execução ou a falta de adoção de processos padronizados de cuidado, resultaram em perdas anuais estimadas entre US$ 102,4 bilhões e US$ 165,7 bilhões.1

Outra categoria de gastos excessivos identificados no estudo foi a complexidade administrativa causada pela falta de formulários e procedimentos padronizados de regulamentação e reembolso, resultando em trabalhos desnecessariamente complexos e demorados para todo o staff, e que ocasionavam, ainda, em menor tempo na prestação de cuidados ao paciente.1

Além dos altos custos diretos e indiretos associados à variação no atendimento, também foi documentado que essas ineficiências na variação do atendimento também contribuíam para taxas mais baixas de segurança e satisfação do paciente.1 Mais recentemente, estudos mostraram que o tempo que um médico passa on-line, documentando registros eletrônicos de saúde e métricas de qualidade, o leva a altas taxas de burnout, associadas ao aumento de erros médicos.5

 

Abordagens para reduzir variações na prestação de cuidados

Dados os resultados desses vários estudos, não surpreende que múltiplas intervenções tenham sido identificadas para diminuir variações no atendimento. Isso inclui: protocolos padronizados, que podem ajudar a reduzir a utilização excessiva de recursos, iniciativas de redesenho que promovem cuidados coordenados e interdisciplinares e métricas de desempenho que incentivam a redução de complicações e readmissões hospitalares - todas com objetivo de reduzir custos e engajar médicos.1,3,4

No entanto, identificar o problema e implementar soluções requer que hospitais e sistemas de saúde considerem novas abordagens para restringir os custos dos cuidados prestados.6 Como primeira etapa na implementação de protocolos padronizados, as organizações devem ser capazes de determinar os pontos de variação do atendimento em diferentes pontos da trajetória do paciente, a fim de identificar as desconexões do fluxo de trabalho e da comunicação e garantir a disponibilidade dos recursos adequados.6 Como a variação do atendimento reflete inúmeras dinâmicas e desconexões em ecossistemas complexos de assistência à saúde, o uso de análises preditivas, juntamente com os dados de prontuário eletrônico, demonstrou auxiliar os médicos no monitoramento mais eficaz dos pacientes e orientar a tomada de decisão clínica.

 

Novas tecnologias, novas abordagens para reduzir a variação na prestação de cuidados

Ainda mais inovadora foi a introdução de abordagens de Centros de Comando em hospitais e grandes sistemas de assistência médica. Eles fornecem recursos de monitoramento centralizado digital que combinam análise de dados em tempo real com serviços operacionais para aprimorar a coordenação, qualidade e eficiência no atendimento ao paciente. Além de tornar as operações mais ágeis e responsivas às necessidades dos pacientes, o monitoramento digital centralizado também pode fornecer melhor vigilância ao paciente, melhorar a produtividade da equipe ao incorporar protocolos padronizados e melhores práticas no fluxo de trabalho, além de aumentar a colaboração da equipe de atendimento.

À medida que a assistência médica passa, cada vez mais, de um sistema de volume de atendimento para um sistema baseado em valor, é necessário que o foco na qualidade, contenção de custos e atendimento centrado no paciente sejam pilares de maior atenção. A redução das variáveis no atendimento é essencial para obtenção de sucesso nesse atual cenário de assistência médica em evolução e dinâmica.

 

Referências

  1. Waste in the US Health Care System: Estimated Costs and Potential for Savings, JAMA Network, Journal of the American Medical Association, Outubro, 2019. file:///C:/Users/reich/OneDrive/Documents/GE/GE%20Solutions/Care%20Variations/jama_shrank_2019_healthcare%20waste.pdf. Acessado em 22 de Outubro, 2019.
  2. Variation in Health Care Spending, Institute of Medicine, National Academy of Sciences, 2013. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK201653/ Acessado em 22 de Outubro, 2019.
  3. What Clinical Variation Means to A Hospital's Bottom Line: 4 Insights from The C-Suite, Becker’s Hospital Review, September 2016. https://www.beckershospitalreview.com/hospital-management-administration/what-clinical-variation-means-to-a-hospital-s-bottom-line-4-insights-from-the-c-suite.html Acessado em 23 de Outubro, 2019.
  4. Care Variation Reduction Key to Improving Care Quality, Costs, RevCycle Intelligence, Xtelligent Healthcare Media October 2018. https://revcycleintelligence.com/news/care-variation-reduction-key-to-improving-care-quality-costs Acessado em 23 de Outubro, 2019.
  5. A Crisis In Health Care: A Call to Action On Physician Burnout, Harvard Global Health Institute, Massachusetts Medical Society, 2018. massmed.org/News-and-Publications/MMS-News-Releases/Physician-Burnout-Report-2018/ Acessado em 4 de Novembro, 2019.
  6. Three Assumptions Hospital Executives Must Shed to Achieve High Value Care, The Advisory Board, October 2018. https://www.advisory.com/research/health-care-advisory-board/blogs/at-the-helm/2018/10/hospital-executives Acessado em 24 de Outubro, 2019.